Tempo de Ser Família: Tempo de Olhar Biblicamente para a Família

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(Adaptado de “Cosmovisão da Família”)

Leitura: Gênesis 1.26-28, Gênesis 2. 15-25

O livro de Gênesis, como o próprio nome diz, é o livro das origens. Não só a origem do homem e do pecado, mas também da origem das nações, línguas, homicídio, culto, chuva, governos, do povo judeu, e da família. Na teologia costumamos dizer que Deus deu ao homem três mandatos criacionais. Ou seja, Deus estabeleceu, ordenou, delegou que o ser humano, criado a sua imagem e semelhança, se desenvolvesse em três áreas especificas que são as áreas mais abrangentes e importantes na vida de alguém.

O Mandato Espiritual se refere à área da espiritualidade e religiosidade do homem. O Mandato Cultural envolve o desenvolvimento da sociedade humana, seu trabalho, sua forma de governo e suas ocupações.
O terceiro mandato, que é o que nos interessa neste momento, é chamado de Mandato Social, ele abrange as relações sociais dos seres humanos, mais especificamente a relação familiar que foi a primeira dentro da humanidade.

Vale lembrar que nosso pai Adão era nosso representante, não apenas de nós cristãos, mas de todos os seres humanos. Estamos espiritual e misticamente unidos a Adão; por isso que quando ele pecou, nós pecamos; quando ele morreu, nós morremos; quando ele recebeu um mandato de Deus, todos nós recebemos, independentemente do tempo e do povo em que nascemos. Não é à toa que nem mesmo a queda (Gn 3) conseguiu apagar estes mandatos. Toda sociedade, desde a mais desenvolvida civilização até a mais remota tribo tem alguma forma de culto e religião (Mandato Espiritual), alguma organização de papeis ou hierarquia (mandato cultural) e algum formato familiar e alguma forma de casamento (Mandato Social)

O relato da criação nos mostra um padrão familiar de Deus. A partir do relato da queda este padrão é destorcido e manchado. Podemos resumir o padrão bíblico familiar da seguinte maneira:

Instituição primária. A família precede o Estado e a Igreja; por isso que quando as famílias vão mal as igrejas e a sociedade também vão mal, por esta razão também que leis civis não podem querer redefinir conceitos e atribuições da família, porque não o Estado e nenhum governo civil que criou a família.

Heterossexual, monogâmica e liderada pelo homem: Sociedades que deturparem este padrão, defenderem esta deturpação, incentivarem e aprimorarem este comportamento deturpado se tornarão doentes, fracas, indefesas e correrão o risco de desaparecerem.

Representa Deus: Como aprendemos com o apóstolo Paulo no Novo Testamento, a família se inicia no casamento e o casamento é uma relação que deve simbolizar o amor de Cristo pela igreja. A nossa responsabilidade é tão grande que os nossos casamentos têm a missão dada por Deus de serem uma manifestação visível do evangelho de Cristo. Apenas esta definição já é motivo suficiente para não apoiarmos o divórcio.

Pressupõe maturidade, aprendizado, prazer (sexual e não sexual), companheirismo e discipulado: Observem bem Gênesis 2.24

“Portanto, o homem (maturidade) deixará (mudança) seu pai e sua mãe (modelo familiar bíblico) e se unirá (nova família seguindo o modelo bíblico) à sua mulher (complemento), e eles ser tornarão (processo de aprendizagem, amizade e confiança) uma só carne (intimidade profunda entre duas pessoas nos mais diferentes aspectos).”

Dentro deste versículo, muitos teólogos vão destacar o termo “homem” que aqui se refere ao macho e não à humanidade. Estudiosos defendem que o padrão “2-2-4” ensina-nos que a iniciativa de começar uma nova família cabe ao homem e não as mulheres (como ensina o feminismo). É triste vermos rapazes sem atitude e mulheres mendigando a atenção destes. Isto nos leva a mais um padrão familiar bíblico, o de papéis definidos.

A submissão feminina: Já destacamos em outros dois pontos a liderança masculina, agora vamos dar atenção ao papel da mulher. Em Gênesis 2.18 quando Deus anuncia a criação da mulher, o homem já estava trabalhando (cultivando o solo e nomeando os animais) mas apesar de seu “sucesso profissional” ainda faltava algo ao homem, alguém que fosse semelhante a ele e que o completasse (2.20) então Deus lhe fez uma AUXILIADORA IDÔNEA. Acredito que esta tradução captou melhor o significado. A mulher foi criada para ser auxiliadora e não líder, este auxilio não é de desprezo mas de algo fundamental, essencial para determinados objetivos, um auxilio sem o qual as coisas não vão bem, a palavra hebraica usada aqui é עזר (Ìezer)” ela aparece em diversas passagens no Antigo Testamento se referindo a ajuda, socorro, amparo, sustento dado não só por amigos mas pelo próprio Deus. É o caso por exemplo do Salmo 121.1-2:

“Elevo meus olhos para os montes; de onde vem o meu socorro? Meu socorro vem do SENHOR, que fez os céus e a terra”.

E além de auxiliadora, a mulher também foi criada idônea. Não foi criada para competir, humilhar ou ser humilhada, não é mais ou menos santa ou tem mais ou menos valor intrínseco. Deus criou homens e mulheres com valores iguais, mas com funções diferentes. Liderança e submissão não faz ninguém melhor que ninguém, apenas divide tarefas para que ambos se completem.

Devemos lembrar sempre desta ideia de complemento. Embora haja diferenças no corpo, mente e atribuições, estas diferenças não existem no campo de valor, este tipo de pensamento veio com a queda e resultou no que hoje chamamos de guerra dos sexos, esta é uma guerra que não convém a homens e mulheres cristãs. Precisamos dar um belo “ponta pé” no machismo e feminismo em nossas igrejas e devemos ensinar os cristãos não apenas o que não devem fazer, mas sim o que devem fazer, masculinidade e feminilidade bíblica.

A família deve se reproduzir: Antes de mais nada é bom deixar claro que casais que por algum motivo de saúde não possam ter filhos não estão em pecado. E também não estamos incentivando os casais a terem filhos simplesmente por ter sem se importarem com os métodos anticoncepcionais, mas que devemos nos atentar à primeira ordenança de Deus ao casal em Gênesis 1.28a:

“Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a”

Em nenhum momento a Bíblia prega uma visão irresponsável da gravidez ou nega que certas questões na vida do casal como tempo, atenção, vida sexual, corpo, dinheiro, responsabilidades; serão afetadas com a chegada de um pequeno, mas a Bíblia nos chama a confiarmos em Deus, o criador da vida e da família, e confiarmos que se ele estabeleceu isto em sua palavra esta é a coisa a ser feita. A Bíblia sempre descreveu a gravidez a e chegada de um filho como presente, herança, bênçãos, oportunidade de aprendizado e discipulado. Devemos ter muito cuidado com o medo e o pensamento “progressivo” tão presente nos dias de hoje.

A Queda

Como cristãos devemos buscar nos adequarmos a estes padrões familiares. Isto é benéfico a nós e nossa família, ao nosso país, às nossas igrejas locais, e a igreja de Cristo de modo geral. A Bíblia descreve as relações familiares de forma muito bonita e lhe atribui uma responsabilidade muito grande, não é sem motivo que Deus o Éden o Diabo tenta manchar e destruir o seu funcionamento. Vamos lembrar de alguns males que o pecado trouxe para a família:

Confusões de papel, adultério, fornicação, poligamia (hoje chamada de poli amor), amor demais aos filhos (filolatria), amor "de menos" aos filhos (terceirização e negação), filhos desobedientes e ingratos, falta devocional no lar, desvios sexuais (dentro e fora do casamento), ciúmes, falta de perdão e companheirismo, vitimismo, divórcio, abandono, infelicidade, jugo desigual; e tudo isto sem falar em problemas mais amplos como pornografia, doenças, drogas, idolatria, má administração do tempo, interferência estatal e por aí vai...

Nosso tempo não nos permite estudarmos a fundo cada um desses pecados, nem fazermos uma apologética aos ataques que a família cristã recebe do mundo, por isso vamos destacar alguns problemas que em nosso meio cristão são mais fáceis e ao mesmo tempo mais difíceis de serem notados. Mais fáceis porque são muito mais recorrentes que os demais e mais difíceis porque muitas vezes não percebemos que estamos errando o alvo nem que seja por alguns centímetros.

Descaso com o casamento

É interessante como existe uma certa relutância do mundo para com o casamento. As pessoas, se conhecem há muitos anos, moram juntos, tem sua vida em comum, mas não se casam. Algumas preferem uma união estável e outras nem fazem isso. A explicação muitas vezes envolve o campo jurídico ou uma certa “liberdade” de poder terminar a hora que quiser. No entanto grande parte destas pessoas, por estarem a tanto tempo juntos de forma tão intensa, já estão de certas formas comprometidas; comprometidas, física, financeira, social e emocionalmente. Além do mais, depois de tanta intensidade, qualquer advogado um pouco a cima da média consegue equiparar aquela “separação de não casados” em um divórcio oficial.

No entanto não é somente fora da igreja que isto vem acontecendo. Dentro da igreja muitos rapazes querem os benefícios de um relacionamento afetivo sem assumir as responsabilidades. E muitas garotas estão contaminadas com a ideia de que “precisamos (você precisa) entender que as mulheres não foram feitas para casarem e dependerem dos maridos”. O que estes dois grupos precisam entender é que biblicamente falando não é errado dizer que homens e mulheres foram feitos para o casamento. Ambos pensamentos revelam uma mente egoísta e um despreparo da igreja. Isolamos os adolescentes e pré-adolescentes em uma bolha onde eles praticamente não têm contato com os cristãos mais velhos e maduros, enchemos essa bolha de entretenimento e de eventos sobre namoro, é impressionante o quanto de dinheiro, força e tempo para falar de um termo que nem aparece na Bíblia e que de modo geral se resumem a “seja sincero, procure um cristão e não faça sexo antes do casamento”. Olhem a pobreza e mediocridade com que tratamos o mandato social com aqueles que estão com os hormônios a flor da pele.

Mas o problema não para por aí, esses adolescentes crescem e se tornam jovens (adultos) e grande parte passa por uma crise, de um lado as responsabilidades o chama para a vida adulta, do outro, as lembranças o chamam para adolescência. Aparência, diplomas, carros e salários de gente grande, mas com um desejo de serem pequenos.

Em determinado momento dois destes jovens, um rapaz e uma moça, se apaixonam, namoram e resolvem se casar. Marcam a data e quando falta menos de um ano decidem marcar de 8 a 10 encontros com o pastor para que eles recebam o seu “aconselhamento”. Não é à toa que a maioria das igrejas hoje tem uma preocupação enorme com os chamados “jovens casais”. Depois de mais vinte anos sem ouvir quase nada sobre casamento, eles se vêm casados.

Ninguém estuda para um vestibular no dia do vestibular ou algumas semanas antes. Toda sua vida acadêmica desde a pré-escola te preparou para aquela prova, se lá atrás um estudante não aprende ler e escrever como poderá fazer uma redação ou interpretar um texto? Não se estuda para um concurso antes da prova se estuda antes e com o casamento deveria ser assim. Desde muitos jovens, antes que eles entrem na puberdade (que é um presente de Deus) os solteiros devem ouvir sobre casamento, conversar com mais velhos, tirarem suas dúvidas, aprenderem sobre liderança e submissão. Por mais que sempre exista uma distância entre teoria e prática, esta distância pode ser diminuída. Devemos começar a aprender sobre casamento antes de nos casarmos. Passagens como I Coríntios 5.6-7 e Tito

I Coríntios
"Digo, porém, aos solteiros e às viúvas que lhes seria bom se permanecessem na mesma condição em que estou.
Mas, se não conseguirem dominar-se, que se casem. Porque é melhor casar do que arder de paixão."

Tito

"Exorta os mais velhos para que sejam equilibrados, respeitáveis, sóbrios, sadios na fé, no amor e na constância; as mulheres mais velhas, de igual modo, sejam reverentes no viver, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras do bem, para que ensinem as mulheres novas a amarem o marido e os filhos, a serem equilibradas, puras, eficientes no cuidado do lar, bondosas, submissas ao marido, para que não se fale mal da palavra de Deus. Exorta de igual modo os jovens para que sejam equilibrados."

Quando nós cristãos tivermos bem claro em nossas mentes que Deus nos criou para o casamento, muitas perguntas ganharão outro direcionamento, quem? Quando? Como? Se relacionar com o sexo oposto só por diversão ou “para conhecer” é a coisa mais fácil do mundo, a prática te ensina isso; mas se relacionar com o sexo oposto visando um casamento que vai demonstrar o evangelho da graça de Deus, ah, isso não é para meninos, exige oração, responsabilidade, humildade, domínio próprio. E este é um exemplo de pessoas criadas na igreja, existe um outro grande desafio que é o de lidar com casais recém convertidos que “aprenderam” sobre família e casamento no mundo. Se quisermos fazer algo como em igreja especificamente em prol de nossas famílias, devemos começar pelo casamento, que foi por onde Deus começou a primeira família.

Descaso com os filhos: Do problema de não olharmos biblicamente para família, ou de não termos uma cosmovisão correta sobre a família, decorrem os problemas relacionados ao casamento, e deste, decorrem uma série de outros problemas. Um destes problemas é o que eu chamo de descaso para com os filhos. Isto não significa necessariamente que este pais não amem a seus filhos, mas que tem dado pouco valor a eles e tem errado na maneira de demonstrar o amor. O descaso pode ser em visto de diversas maneiras; evitando (não adiando) a chegada dos filhos, terceirizando a educação dos filhos, desviando o foco achando que presentes caros serão mais efetivos que passar uma tarde juntos ou uma boa conversa sobre questões que embora pareça sem importância a um adulto esteja afligindo seu filho.

A Bíblia descreve os filhos como herança do Senhor, flechas que chegam aonde a espada do pai não mais alcança, o dom da vida e os milagres que ocorrem na gestação são constantemente lembrados na Bíblia. Biblicamente, a gravidez nunca foi vista como um mal necessário, e desde a criação paternidade e maternidade nunca foram tratados como opções. E a educação deste filho sempre foi responsabilidade primária dos pais. Pais cristão não tem o direito de educarem seus filhos tem a obrigação. Este dever pode receber ajuda dos demais familiares, amigos, da escola e da igreja; mas “ajuda” é diferente de terceirizar este dever para outros.

Pais, vocês têm ensinado seus filhos sobre Jesus Cristo? Tem lido a Bíblia com eles? Tem acompanhando o material escolar? E o que eles assistem na televisão e na internet? E os deveres domésticos, eles têm aprendido? Vocês têm dado orientações a eles? Sobre aquilo que vocês não sabem, tem buscado aprender mais? Tem orado por eles?

No outro extremo temos a supervalorização dos filhos, certa vez ouvi um pastor usando o termo “filolatria” e achei bem interessante. A filolatria começa quando os pais amam mais a seus filhos do que às autoridades (qualquer um a delas), passa para o segundo nível em que os pais amam mais a seus filhos que aos seus próprios cônjuges, e termina no nível mais elevado quando os filhos são mais amados que o próprio Deus.

A solução para a filolatria está em entender o que é o pecado e o que é amor de Deus revelado em Cristo Jesus. Em Gênesis 3. 16 Deus anuncia à mulher que ele terá filhos com dores. É obvio que o sentido imediato está no parto onde naturalmente a mulher sente muitas dores, mas podemos ampliar este pensamento; quando que um pai e uma mãe (em especial a mãe) deixa de sentir dores pelos seus filhos? A resposta é nunca! Pode ser uma mãe com cem anos e um filho com 75 ou 80 anos, as preocupações e aflições continuam, é impressionante!

E porquê disto está algumas folhas depois deste versículo, quando Caim (filho de Eva) matou Abel (filho de Eva). Imaginem o sentimento, ou melhor, o sofrimento de Adão e Eva quando descobriram que um filho matou o outro. Depois de Gênesis três o pecado sempre esteve presente na humanidade. Nossos filhos são pecadores e estão sujeitos a causarem danos, seguindo o exemplo de Caim, ou a sofrerem os danos dos pecados, como Abel. Os nossos filhos precisam de Cristo, quando os discípulos tentaram impedir as crianças de chegaram até eles Jesus os repreendeu; embora romantizemos essa passagem ela deixa clara uma coisa: Nossos filhos, por mais novos que sejam, precisam conhecer a Jesus.

Os filhos são bênçãos de Deus, mas ainda são nossos filhos, ou seja, são pecadores. Eles ganham a vida do Deus criador e herdam a morte de nós criaturas. Desde muito novo eles dão sinais de que são pecadores em potenciais e que ao longo dos anos eles vão amadurecendo este potencial. Alguns mentem, outros manipulam, outros batem, outros são egoístas, outros querem atenção o tempo todo e por aí vai. Quando são pequenos essas coisas são muito fáceis de serem detectadas, mas conforme eles vão crescendo essas características são aprimoradas, sabendo disto Deus orienta os pais em sua palavra a não pouparem a vara da repreensão, a instruírem no caminho que devem andar, a educarem conforme a disciplina do Senhor e inculcarem os mandamentos neles; para que eles cresçam com o temor de Deus em seus corações para não pecarem contra o seu Deus.  

Para encerrar a filolatria, devemos lembrar do evangelho da graça. Do amor que Cristo tem pela sua igreja, e de que o casamento cristão deve simbolizar este evangelho. Quando olhamos para o que a Bíblia fala sobre casamento (amor marido e esposa) e o que ela fala sobre criação de filhos (amor pais e filhos) existe uma diferença considerável aí. A maior prova do amor de Deus é o que Jesus Cristo fez por nós, e a relação que a Bíblia diz que deve simbolizar tal prova de amor é o casamento; o amor da mulher marido e do homem para com a esposa. Os filhos crescem e vão formar sua família, mas o cônjuge permanece. Trazendo para uma linguagem mais objetiva o amor entre o casal deve ser superior ao amor do casal para com seus filhos. Sabemos que isto não é fácil, mas é o que aprendemos olhando cuidadosamente o que a Bíblia diz, não devemos ignorar ou desprezar os filhos mas coloca-los em seu devido lugar, o mesmo serve para o marido/para a esposa não devemos idolatrá-lo mas coloca-los em seu devido lugar. Continuaremos honrando a nossos pais, sofrendo pelos nossos filhos e trabalhando na igreja, mas nada deve ser mais forte que o amor pelo cônjuge.

O marido que ama verdadeiramente a esposa ensina os meninos a como tratarem as mulheres, e ensina as meninas a não aceitarem menos ou mais do que aquilo que a primeira referência masculina dela dá à sua primeira referência feminina. E é muito interessante como de modo geral os filhos descobrem que se casaram com alguém que via de regra tem muito em comum com seus pais. Cabe os pais cristãos amarem em primeiro lugar a Cristo, depois ao seu cônjuge, depois a família de modo geral, depois a igreja local, e só depois as outras coisas.

Tema a Deus, crie os filhos, honrem aos pais e ame o cônjuge (dando a vida e submetendo)!

Filhos rebeldes que não honram pais e mães:

Mas não são só os pais que devem colocar os filhos no devido lugar. Os filhos também devem fazer isso, e eu diria que os filhos mais ainda pois os pais são autoridades sobre eles. Vejamos o contexto do decálogo, dez mandamentos; Deus tira um povo que ficou quatro séculos no Egito e que durante muito tempo foi escravo, aquela multidão que talvez chegasse a dois milhões de pessoas está no deserto em direção a terra prometida aonde serão pela primeira vez uma nação. Durante o trajeto, Deus lhes dá uma lei que caracterizaria aquela jovem nação, seria a constituição deles, os “façam isso” e “não façam aquilo” da lei deveria ser cumprido de tal maneira que este comportamento serviria de testemunho as outras nações. Uma pequena analogia aqui seria aqueles personagens dos filmes americanos que citam a constituição, os pais fundadores as primeiras emendas da constituição deles que tem quase três séculos.

Dentro desta lei tão grande e tão rica existe aquilo que os judeus chamam de “as dez palavras” que nós conhecemos como “os dez mandamentos”. Eles são o ponto auge da lei, são as palavras que o próprio Deus Jeová escreveu separadamente nas pedras que deu a Moisés. Podemos dizer que as dez palavras são o resumo e ao mesmo tempo os pontos principais de toda a lei. Lendo os dez mandamentos encontramos coisas muito importantes como “Não matarás”, “Não furtarás”, “Não terás outros deuses diante de mim”, e outras questões que sabemos serem importantíssimas para o funcionamento de uma nação, mas quando chegamos no quinto mandamento (Ex 20.12) lemos “Honra teu pai e tua mãe” isso parece desconexo com os demais mandamentos, por que precisamos colocar isto no resumo, no ponto auge da lei juntamente com o mandamento de não matarás e de não adorar a outros deuses? A resposta a esta pergunta, é que Deus está ensinado a aquele povo e a nós que filhos que não honram seus pais farão tão mal à uma nação, a um país, quanto os assassinos, filhos que não honram pai e mãe causaram prejuízo na família, sociedade e igreja como os idólatras e imorais; filhos que não honram os pais não terão vida boa nas tarefas que o Senhor Deus lhe dará assim como aqueles que mentem e furtam. Deus colocou essas coisas no mesmo pote, no mesmo patamar, não eu. Alguns teólogos inclusive argumentam que filhos que não honram os pais, já estão em desobediência a Deus, e se tornam mais vulneráveis de cometerem todos os demais pecados que o decálogo condena.

Devemos nos lembrar de Jesus Cristo foi homem e nunca pecou, mas sempre honrou seus pais pecadores.

Redenção:

Mediante tudo isso devemos olhar para as palavras daquele que:
1. Criou a família.  2. Nos salvou.  3. Sabe todas as coisas.  4. Quer o nosso bem .

Olharmos para a palavra de Deus e na pessoa do seu filho Jesus Cristo, nosso salvador. Efésios capítulos cinco e seis nos ensina que:

Devemos ser imitadores de Deus, andando em amor, rejeitando toda prostituição, impureza e indecência. (Ef 5.1-4)

Devemos imitar as más companhias e más referencias (Ef 5.7)

Devemos andar como filhos da luz; pessoas que morreram para o mundo e nasceram para a vida em Deus, pessoas que não são mais escravos do pecado e do Diabo mas servos e migos de Cristo, pessoas que não são mais filhos da ira de Deus mas templo do Espirito Santo. (Ef 5.8-13)

Não devemos ser insensatos ou “dormir no ponto” mas devemos pedir a iluminação de Cristo, sermos gratos e mansos, evitando a embriaguez, devemos aproveitar o tempo nos sujeitando uns aos outros porque os dias são maus (5. 14-21)

Devemos ser submissas ao marido como ao Senhor Jesus Cristo (Ef 5.22-24)

Devemos amar, cuidar e proteger como o Senhor Jesus Cristo faz (Ef 5.25-31)

Devemos refletir o evangelho em nossos casamentos (Ef 5.32-33)

Devemos honrar e obedecer aos pais como se estivessem o obedecendo ao dono da Igreja, o Senhor Jesus Cristo (6.1-3) devemos criar os filhos com sabedoria, prudência e amor assim como Jesus Cristo o Senhor de nossas vidas fez, faz e ainda fará conosco (6.4)

Aos que estão só: O Antigo Testamento nos ensina e sermos caridosos com viúvas, órfãos, pobres e estrangeiros. Em nossas igrejas existem muitas viúvas e viúvos físicos e espirituais, muitos órfãos, pobres e estrangeiros. Pessoas que não tem família presente ou que não tem família ou que foram abandonadas por suas famílias por causa da sua fé, devemos acolhe-los e adotarmos. Aos que fazem parte destes grupos ou que não tem outro vínculo familiar, Jesus Cristo nos ensinou que seus irmãos, pais e mães são aqueles que fazem a vontade do pai. Você é amado e você tem uma família espiritual ao seu lado.

E nunca devemos nos esquecer que nós cristãos travamos uma guerra espiritual. Lutamos contra inimigos muito fortes: A carne, o sistema mundano e o Diabo, nosso adversário, que anda ao nosso redor como um leão; por conta disto devemos nos revestir da amadura espiritual e do poder do Senhor, não podemos, nunca, negligenciarmos a vida devocional; a oração individual e coletiva, a leitura pública e particular das escrituras e a comunhão com os nossos irmãos. Devemos vigiar e estarmos atentos, pois se falharmos nesta área de nada adiantará tudo isso que estamos aprendendo. A batalha é difícil, mas maior é o que está em nós do que o que está no mundo.

Concluindo (colocando tudo isto em prática):

Arrependimento e Submissão: Quando falamos de cosmovisão e de padrões bíblicos, nãos importa qual seja o assunto sempre seremos confrontados. E quando a minha Bíblia nos confronta, os errados somos nós e não ela. O primeiro passo que devemos tomar é nos arrependermos e aceitarmos humildemente suas orientações, ordens e seus mandatos

Perdão e mudança de atitude: Feito isso devemos pedir perdão a Deus, a nossos familiares e aos demais que o ofendemos, devemos também perdoar aqueles que vêm até nós, não é fácil e muitas vezes não é instantâneo, mas se Cristo nos perdoou de uma dívida impagável, o que será de nós, pecadores perdoados se não perdoarmos uma dívida menor? (Lembremos da oração do pai nosso e da parábola do Credor Incompassivo)

Perseverança: Esta é uma das palavras mais comuns na vida cristã! Temos a promessa de que os salvos perseverarão até o fim de todas as tribulações. O mundo, a carne e o Diabo não vão parar de atacarem a primeira instituição que Deus criou, mas como servos perdoados e submissos devemos perseverar até o fim.

Irei encerar lendo uma frase que era trabalhada pela igreja puritana de Boston-EUA há alguns séculos atrás:

Prometemos, pela ajuda de Cristo, que nos esforçaremos para andar diante de Deus em nossas casas, com um coração perfeito; e que manteremos o culto ali continuamente, de acordo como Ele requer em sua Palavra, tanto com respeito à oração como à leitura das escrituras, para que a Palavra de Cristo possa habitar ricamente em nós.
(Edmundo Morgan, Puritan Family. Pg 140 – Puritanos em Boston)

 

Lembremos de Efésios cinco e seis. Não é fácil, mas maior é o que está em nós do que o está no mundo. Que Deus nos ajude!