Aconteceu Mesmo!

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Os meus domingos, desde a mocidade, tenho passado na igreja. Com raríssimas exceções, geralmente em períodos de férias, não vou à igreja aos domingos. Mesmo quando estou viajando procuro saber se há alguma Igreja Batista por perto para visitar. Sendo pastor, a maioria das pessoas põe na conta das obrigações pastorais o estar na igreja aos domingos, mas os pastores são pessoas que geralmente já agiam assim mesmo antes de se verem como ministros de Deus.

Muitas pessoas ainda nos perguntam o porquê de separarmos o Domingo para adorar e não o Sábado. Uns põe na conta das modificações constantinianas da história e do calendário ocidental, outros dizem ser por causa do Sol Invictus (uma adaptação deste dia de descanso já existente), outros põe na conta da cultura romana porque o primeiro dia da semana (Domingo) era um dia em que o comércio não funcionava e por isto os cristãos podiam congregar. No entanto, o fato mais contundente é que no primeiro dia da semana, no Domingo pela manhã, Cristo ressuscitou.

Espero te convencer que a partir daquele Domingo nossas vidas podem ser mais ativas e intensas do que aquela Quinta-feira (Uma Quinta-feira daquelas). Convencê-lo de que nossos dias podem ser cheios de alegria, diferentemente daquela Sexta-feira tão terrível (A Sexta-feira mais triste da Humanidade). Também convencê-lo de que é em silêncio que agora ouvimos a voz poderosa e ruidosa do Deus Criador dos Céus e da Terra que fala nas ruas, nos Templos e em toda Terra, usando instrumentos humanos, por meio de seu Filho Jesus Cristo e sua Palavra escrita, a Bíblia (Um Sábado Silente). A intensidade dos fatos da Quinta-feira, a profunda tristeza da Sexta-feira e o silêncio do Sábado foram transformados pelos acontecimentos iniciados na manhã daquele Domingo.

Segundo o Evangelho de Marcos 16.1-7 (ver também Mateus 28.1-10, Lucas 24.1-12, João 20.1-10) as mulheres chegaram à sepultura na manhã do Domingo muito cedo, quando o sol estava saindo, mas encontraram a sepultura já aberta e um jovem sentado à sua direita que, segundo Mateus 28.5, era um anjo. Com o estrondo de um terremoto a pedra que fechava o sepulcro fora removida (Mateus 28.2). Dessa maneira, parece que Jesus teria ressuscitado ao nascer do sol do Domingo (o primeiro dia da semana). Teria estado morto por 39 horas, um pouco mais que um dia e meio: três horas da Sexta-feira (das 15h00 às 18h00), 24 horas do Sábado (das 18h00 às 18h00) e 12 horas do Domingo (das 18h00 às 6h00).

Tomando ainda como base o Evangelho de Marcos, vemos que Jesus aparece a Maria Madalena (também em João 20.11-18) e na sequência aparece a dois discípulos que estavam a caminho de Emaús (Marcos 16.12-13, Lucas 24.13-35) e depois aparece a seus onze discípulos (Marcos 16.14, Lucas 24.36-43, João 20.19-25). Segundo o Apóstolo Paulo em dado momento foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez e muitos ainda estavam vivos quando ele escreveu a carta de 1ª aos Coríntios quase 20 anos após a Ressurreição.

Até hoje muitos ainda duvidam da Ressurreição de Cristo e zombam deste fato, como o fizeram os atenienses durante o discurso de Paulo no Areópago (Atos 17.31-34). Alguns afirmam que Cristo de fato nem morreu, mas passou por uma espécie de sono, tendo despertado no Domingo pela manhã (com tantos ferimentos mortais?). Os argumentos lógicos a respeito da Ressurreição podem ser muitos e até enfadonhos, mas acho que vale apresentar alguns aqui.

Há quatro relatos nas Escrituras sobre o fato, ou seja, testemunhas oculares escreveram sobre a Ressurreição. Por que tantos se emprenhariam em escrever se isto não fosse valoroso e surpreendente? Já seriam muito estes quatro relatos mesmo se não levássemos em conta uma série de outros documentos escritos na época e posteriormente, mas que descartamos por diversos motivos (eram apócrifos e pseudepígrafos).

A descrição bíblica é singular: não possui enfeites com o propósito de impressionar pelas palavras e não pelo fato em si, uma mulher é a primeira testemunha do fato (o que desvalorizaria o relato – lembre-se do papel da mulher em culturas antigas), os discípulos de Emaús não o reconhecerem imediatamente, ou seja, era algo de fato muito inesperado, apesar de todos os avisos do próprio Jesus.

A incredulidade inicial dos discípulos ante a Ressurreição atesta a veracidade do fato também no sentido de que era algo novo e não programado (encenado, previsto). A participação dos discípulos em uma fraude tão perigosa e tão elaborada (lembrem que eles o abandonaram por medo das autoridades romanas e judaicas. Por que se arriscariam agora, já que poderia ser ainda mais perigoso?). Há uma clara ingenuidade e até incredulidade na ação dos discípulos que prova que, diante de tal ingenuidade, é muito mais provável que a Ressurreição seja fato do que qualquer outro relato fantasioso, inventado, criado ou mitológico.

Jesus ensinou que sua morte seria central na história. Por que um líder ensinaria que a morte, que representa uma derrota para os Judeus, seria algo tão importante? Muitos que viviam ali creram também no fato após ocorrido e constatado. Jesus prenunciou sua Ressurreição. O que ele seria? Um lunático? Um mentiroso? Ou estava dizendo a verdade e controlando toda a história? Era Deus. É Deus.

O próprio Jesus se pôs a prova mostrando que estava vivo novamente (Lucas 24. 39). Sua voz podia ser ouvida, ele podia ser tocado.

O testemunho de mais de 500 (quinhentas) pessoas sobre o fato simultaneamente. Não há controle de massas e manipulação de imagens possíveis para tal testemunho. Quanto mais com os recursos antigos.

A Ressurreição de outras pessoas antes desta Ressurreição, ainda que tenham morrido novamente, coisa que não aconteceu com Jesus (Ele vive para sempre) diferencia este fato de todos os outros (Mateus 27.52-53). Esta mudou toda a história.

O desânimo que tomou a vida dos apóstolos após sua morte, e o ânimo redobrado a ponto de morrer pelo próprio Jesus após sua Ressurreição, mostram que algo excepcional vivido por todos eles aconteceu de forma incontestável. O que motivaria homens simples, frágeis e fracos a serem tão intensos e combativos da noite para o dia?

O ensino da Ressurreição é uma verdade vindicatória central da fé cristã, ou seja, sem Ressurreição não há vida cristã nem mesmo cristianismo. Sem a Ressurreição de Cristo (e a nossa) tudo é vão (1 Coríntios 15.13-14). O próprio novo nascimento (regeneração) é uma manifestação espiritual de uma Ressurreição. Passamos da morte para a vida em Cristo.

O túmulo (sepulcro) nunca foi venerado porque Cristo Ressurreto é em si o grande fato.

A acusação do roubo do corpo evidencia o fato de que o corpo não estava mais lá. Quem teria ficado com um corpo tão importante e tão precioso? Onde ele estaria durante a pregação da Ressurreição? Se os romanos e judeus lideres tivessem posse do corpo, teriam feito de tudo para mostrar o corpo para desmontar ¨a farsa¨ da Ressurreição, mas não fizeram isto.

Entre a Ressurreição e a pregação após a Festa do Pentecostes, passaram-se quase dezessete semanas desde que os discípulos receberam orientações de Jesus, estando eles ainda confusos em relação a sua missão. Por que mudaram em tão pouco tempo? Porque Cristo ressuscitou.

As aparições de Jesus são descritas sempre como corpóreas, ainda que haja diferenças entre os corpos meramente terrenos e o da Ressurreição incorruptível. Aqueles desonrosos, fracos, naturais. Este glorioso, poderoso e espiritual.

Finalmente, foi criada uma mentira na época para explicar o desaparecimento do corpo, ou seja, de que o corpo teria sido roubado. A falha dos guardas nesta tarefa poderia incorrer na morte dos mesmos segundo as regras do exército romano. No entanto, não temos relato de que isto tenha ocorrido, ou seja, de que os guardas do sepulcro tenham sido sequer punidos, quando mais mortos. Se não falharam, mas o corpo sumiu, o que de fato aconteceu? (Jesus ressuscitou – Aleluia!). Lembremo-nos do terremoto que atemorizou os guardas que se revezavam no turno para não dormir, para sequer pestanejar. Ou seja, os guardas viram o que aconteceu o foram pagos para ficar quietos e, consequentemente, postos em segurança (puni-los e mata-los não). Atitudes bem particulares de quem tem o que esconder. Os romanos e os líderes religiosos opositores de Jesus não puderam esconder o fato: Jesus ressuscitou!

A Ressurreição quebrou a lógica do mundo para colocar os seres humanos em uma nova rota rumo a Deus. Os poderes das trevas, da morte e do pecado foram, de uma só vez, vencidos na Cruz e na Ressurreição de Cristo. A cada dia, em lugares diferentes do mundo, pessoas são libertas do poder pecado, dos laços dos poderes malignos e da morte pelo poder de Cristo, que venceu a morte e com seu sangue nos comprou para Deus. Mentiras e distorções sobre o que aconteceu naquele dia ainda são contadas e, infelizmente, há muitos que ainda acreditam nas falácias argumentativas e mentirosas, da boca, da pena, da caneta e das teclas de invejosos, incrédulos, sábios conforme este mundo e de servos do Maligno, mas a verdade continua de pé: Cristo ressuscitou!

A Ressurreição transformou toda a tristeza em alegria, a morte em vida, o desespero em esperança, o luto em novo nascimento. Somos tão fracos, incompreensivos e vacilantes quanto os discípulos foram. É verdade que aqueles acontecimentos tão maravilhosos são demais para nossas pequenas mentes e nossa pequena fé, mas alegre-se: Cristo ressuscitou!

O silêncio do Sábado nos fez lembrar que é preciso falar, falar de Deus e de sua Palavra, que é preciso pregar. É assim que se rompe o silêncio. A mesma motivação e acontecimentos que transformaram a vida dos discípulos e os fizeram transtornar o mundo de então (Atos 17.6b), está sobre nós: Cristo ressuscitou!

Agora, livres do pecado, protegidos por Cristo de todo o mal, certos de nossa eternidade com Cristo, sobram motivos de alegria, sobram motivos para dedicarmos toda nossa vida a Deus, sobram motivos para pregar o Evangelho a toda a Criatura.
Sim queridos, aconteceu mesmo!