Ressurreição, ceia e o caminho de Emaús

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“Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como Jesus fora reconhecido por eles quando partia o pão.” (Lucas 24.35)

O Encontro no caminho de Emaús, um vilarejo a doze ou treze quilômetros a noroeste de Jerusalém, é uma das mais vívidas histórias da Páscoa. Aconteceu na tarde de domingo, enquanto dois discípulos caminhavam e falavam sobre os eventos impressionantes ocorridos em Jerusalém naqueles dias. Nessa caminhada, o Cristo ressuscitado juntou-se a eles.

Observemos o que Lucas diz sobre os olhos dos discípulos. De acordo com o versículo 16, seus olhos foram impedidos de reconhecer Jesus; de acordo com o versículo 31, seus olhos foram abertos e eles o reconheceram. O que teria feito a diferença? Como nossos olhos podem ser abertos como os olhos dos discípulos o foram?

Primeiro, podemos conhecer Cristo por meio das Escrituras. Jesus reprovou os discípulos por terem sido tão tardios em crer nos profetas, e então os levou através das três divisões principais do Antigo Testamento – a Lei, os Profetas e os Salmos (v.44) -, lhes explicando seu ensino sore os sofrimentos e a glória do Messias. Como Jesus dissera antes, “as Escrituras... testemunham a meu respeito” (Jo 5.39). Assim, precisamos procurar Cristo em toda a Escritura. Ao fazermos isso, nosso coração não poderá deixar de arder.

Segundo, podemos conhecer Cristo mediante o partir do pão. Talvez os discípulos de Emaús tenham visto as cicatrizes em suas mãos ou reconhecido a sua voz. Mas parece mais provável que os três verbos usados por Lucas tenham acionado a memória deles: Jesus tomou o pão, deu graças, o partiu e deu a eles. Então seus olhos foram abertos e eles o reconheceram. Como disseram mais tarde, “Jesus fora reconhecido por eles quando partia o pão” (Lc 24.35). Assim escreveu o pastor batista Irland Pereira de Azevedo:

 

Na Ceia, olhamos para trás, e vemos o Cristo crucificado por nós e que a Ele pertencemos, e amamos e desejamos ser fiéis. Olhamos ao redor, e vemos nossos irmãos que também creem e pela graça são salvos, como nós. Mas também olhamos para dentro de nós, e examinamos nosso coração e consciência a considerar a genuinidade de nossa fé no Senhor Jesus.


Não temos sacramentos (atos que conferem graça). Temos “ordenanças”, de “ordem”. Jesus deixou duas ordens litúrgicas à Igreja, o Batismo e a Ceia. Sobre a cerimônia memorial da Ceia, muitos cristãos têm testificado experiência semelhante como a dos discípulos a caminho de Emaús.

Portanto, aqui estão duas maneiras por meio das quais os dois discípulos reconheceram o Senhor ressuscitado, e mediante as quais podemos reconhece-lo hoje – as Escrituras e ordenanças de ato simbólico, a saber, o Batismo e a Ceia.

Para saber mais, leia Lucas 24.13-35



 

 

Referências:

STOTT, John. “A Bíblia toda, o ano todo” Viçosa, MG: Ed. Ultimato, 2007.

 

AZEVEDO, Irland Pereira. “Em Memória de Mim” Disponível em: https://www.libernet.org.br/artigos.php?id=462

 

FILHO, Isaltino Gomes Coelho. “Ordenanças” Disponível em: http://www.isaltino.com.br/2012/09/grandes-doutrinas-da-biblia-16-ordenancas/