Células-tronco: solução ou problema?

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   A ciência tem se multiplicado, conforme afirma a Bíblia. Nas últimas décadas, temos visto muitas conquistas nas mais diversas áreas do saber humano. A tecnologia, sem dúvida, tem sido a grande aliada do homem pós-moderno. É assustadora a rapidez com que as novas tecnologias se desenvolvem. Acompanhar tantas mudanças é humanamente impossível. A medicina tem sido a grande beneficiada com a diversidade tecnológica e novos conhecimentos. Paralelamente a todo esse aparato tecnológico e conquistas na área médica, verificamos que doenças que há anos, em nosso país, eram consideradas controladas pelo Ministério da Saúde, retornam com força total, como a tuberculose, febre amarela, dengue etc. Essas doenças têm ceifado a vida de numerosas pessoas, como temos acompanhado diariamente pelos noticiários, além das novas epidemias que têm surgido nos mais diversos países e se alastrado pelo mundo, como a AIDS e a gripe aviária, que contamina o ser humano, etc.
    Mais uma vez, se confirma a verdade bíblica, pois tudo isso é fruto do pecado. Entretanto, servimos a um Deus que mesmo abominando as práticas pecaminosas ama incondicionalmente o homem. E, por isso,  ele concede ao ser humano a capacidade e a inteligência para buscar, por meio da ciência, a cura para tais enfermidades. Nessa busca contínua em descobrir novas fórmulas químicas que amenizem o sofrimento das pessoas que são vitimadas, os cientistas da área médica têm se debruçado com toda a dedicação, aliando a tecnologia disponível e o avanço do conhecimento científico. Dessa forma, por meio da biotecnologia, chegaram a conclusão de que a utilização das células-tronco será o meio mais eficiente e eficaz para curar diversas enfermidades, que têm acometido milhares de pessoas em todo o mundo, conforme afirmou em entrevista ao sítio Terra a farmacêutica e bioquímica Alexandra Vieira, pesquisadora da Fundação Zerbini/INCOR, em São Paulo: “Algumas doenças que seriam beneficiadas com a utilização das células-tronco embrionárias são: câncer, para reconstrução dos tecidos; doenças do coração, para reposição do tecido isquêmico com células cardíacas saudáveis e para o crescimento de novos vasos; osteoporose, por repopular o osso com células novas e fortes; Doença de Parkinson, para reposição das células cerebrais produtoras de dopamina; diabetes, para infundir o pâncreas com novas células produtoras de insulina; cegueira, para repor as células da retina; danos na medula espinhal, para reposição das células neurais da medula espinal; doenças renais, para repor as células, tecidos ou mesmo o rim inteiro; doenças hepáticas, para repor as células hepáticas ou o fígado todo; esclerose lateral amiotrófica, para a geração de novo tecido neural ao longo da medula espinal e corpo; Doença de Alzheimer, células-tronco poderiam tornar-se parte da cura pela reposição e cura das células cerebrais; distrofia muscular, para reposição de tecido muscular e, possivelmente, carreando genes que promovam a cura; osteoartrite, para ajudar o organismo a desenvolver nova cartilagem; doença auto-imune, para repopular as células do sangue e do sistema imune; doença pulmonar, para o crescimento de um novo tecido pulmonar”.
    Como vemos, a utilização das células-tronco, realmente, é algo fantástico, pois possibilitará a esperança de saúde a tantos que são vitimas de tais enfermidades e para os quais a ciência médica ainda não descobriu a cura. Razão pela qual, no Brasil, a exemplo de outros países, o Congresso Nacional aprovou a legislação que disciplina a matéria, permitindo assim a sua utilização para fins terapêuticos. No entanto, o Ministério Público Federal apresentou, junto ao STF, Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN), argüindo a sua inconstitucionalidade. Assunto que foi objeto de apreciação, recentemente, por aquela Suprema Corte de Justiça. Inclusive, com  parecer do ministro relator da matéria, pela constitucionalidade da legislação vigente. Naquela oportunidade, a matéria não fora votada, em razão do pedido de vista de um dos ministros. A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Grace, adiantou que seu voto acompanhará o do relator. Isso indica que, certamente, o pedido de inconstitucionalidade cairá por terra e a lei permanecerá na integra. Entretanto, mesmo o assunto sendo altamente positivo no aspecto de possibilitar saúde a numerosos brasileiros, há uma  questão crucial a ser analisada acerca do embrião. Ele é ou não uma vida em potencial?
    Creio que ele é. Diante disso, como fica o princípio estabelecido por Deus de que somente Ele tem o direito de tirar a vida? Portanto, o assunto é complexo e exige de todos e, especialmente de nós, servos do Senhor Jesus Cristo, uma profunda reflexão e posicionamento. Embora o assunto seja complexo, não podemos nos omitir.

CARLOS ALBERTO MARTINS MANVAILER
Membro da IB Nova Jerusalém, Porto Velho (RO)
Fonte: Site http://www.batistas.org.br/